1# SEES 22.4.15

     1#1 VEJA.COM
1#2 CARTA AO LEITOR  A VOLTA S ORIGENS
     1#3 ENTREVISTA  KTIA ABREU  A SADA  PELO CAMPO
     1#4 MALSON DA NBREGA  POR UMA REVOLUO NAS EMPRESAS ESTATAIS
     1#5 LEITOR
     1#6 BLOGOSFERA

1#1 VEJA.COM

CESREAS DEMAIS
Neste ms, a OMS divulgou um alerta sobre pases que realizam cesreas em excesso. O Brasil aparece na liderana  e disparado.  o nico pas que tem mais da metade de todos os nascimentos feitos por cesrea. Na rede privada brasileira, a porcentagem chega a 84%. Segundo a OMS, a cesrea  o procedimento mais adequado em apenas 15% dos casos. Reportagem em VEJA.com mostra que, ao longo de trinta anos, o Brasil instituiu um modelo que desfavorece de diversas maneiras a adoo do parto normal  das regras que se aplicam aos cirurgies aos protocolos de medicao da gestante na hora do nascimento. H iniciativas, contudo, que esto tentando mudar esse paradigma. 

LITERATURA NERD
Relegada a segundo plano por muitos anos no Brasil, a literatura nerd, que engloba especialmente ttulos de fico cientfica, fantasia e quadrinhos, tornou-se um bom negcio para as editoras que decidiram apostar no filo. Entre os ttulos mais bem-sucedidos est o best-seller As Crnicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin, alm da retomada de clssicos assinados por nomes como Isaac Asimov, Philip K. Dick e Arthur C. Clarke. Os trs, alis, so parte do catlogo da editora Aleph, que h mais de dez anos investe em fico cientfica no Brasil e viu seu pioneirismo ser recompensado. De 2013 para 2014, a editora cresceu 100%. S no primeiro trimestre de 2015, o crescimento foi de 120% em comparao com o mesmo perodo do ano passado. Eventos de fs e grandes feiras como a Comic Con reforam o sucesso do estilo.

MAIS-MAIS DO ENEM 2015
Os temas mais frequentes nas provas do Exame Nacional do Ensino Mdio (Enem) entre 2009 e 2014 foram porcentagem (matemtica) e Brasil Repblica (histria). Os dados so do AppProva, uma startup especializada em simulados educacionais, que repete a parceria do ano passado com o site de VEJA para oferecer quatro provas on-line ao longo de 2015. A primeira estar disponvel entre 18 e 27 de abril. No fim do simulado, o estudante receber um relatrio com todos os pontos em que precisa fortalecer os estudos e as habilidades - como interpretao de texto, outro elemento-chave do Enem - que precisa cultivar. 


1#2 CARTA AO LEITOR  A VOLTA S ORIGENS
     Uma reportagem desta edio analisa documentos internos do PT fruto das discusses recentes entre as cinco maiores tendncias do partido. Fica claro que os grupos de militantes petistas, que raramente concordam sobre qualquer ponto, esto, desta vez, de acordo em que a salvao para o partido  tentar, a todo custo, afastar-se da corrupo que permeou seus doze anos de poder federal. Voltar s origens  a palavra de ordem. A experincia de poder, que enriqueceu muitos de seus integrantes, jogou a estrela vermelha do PT na lama. Isso tem dois significados prticos. O primeiro  que o PT volta a ser um partido mdio, tendo perdido os jovens, a classe mdia tradicional e, mais recentemente, boa parte da imensa mar de brasileiros que ascenderam da pobreza nos ltimos vinte anos pela distribuio de renda produzida pelo Plano Real e pelos projetos sociais do ciclo petista. O segundo, e mais problemtico,  que o PT ter de vender a ideia espinhosa de que foi vtima, e no beneficirio, da corrupo. 
     O partido cujo objetivo declarado era conquistar a hegemonia poltica e cultural no Brasil agora tem de rever seus planos. O PT hoje luta no para reinar, mas para no desaparecer.  Alm do dilvio de escndalos que ameaa confinar os petistas a um nicho com menos de 30% dos eleitores brasileiros, o partido sofre pesadamente o impacto de foras transformadoras e modernizadoras que, no passado, foram vetores do seu sucesso. A urbanizao acentuada da populao brasileira, que deu massa crtica ao crescimento do PT nos anos 80, agora conspira contra, pois os moradores dos grandes centros perceberam que a viso de mundo petista nada pode fazer para minorar seus problemas reais de mobilidade ou viabilizar suas aspiraes de ascender ainda mais na escala social e econmica. As redes sociais, que as lideranas petistas esperavam dominar com seus mtodos agressivos de propaganda, mostraram, felizmente, que preferem viver sob o signo da liberdade individual de pensamento e ao. 
     Este  o quadro atual do PT: dois de seus ltimos tesoureiros nacionais esto presos, o antes carismtico ex-presidente no se arrisca a aparecer em pblico e a presidente eleita v o poder migrar para seus aliados de ocasio no Congresso. Em 2002, Lula elegeu-se presidente com 61% dos votos. No ano passado, Dilma venceu com 51%. A curva de aceitao do PT, portanto,  descendente. Mas, mesmo assim, pouca gente poderia imaginar que o partido se desintegraria to rapidamente. Refund-lo em bases novas parece uma misso quase impossvel. 


1#3 ENTREVISTA  KTIA ABREU  A SADA  PELO CAMPO
A ministra da Agricultura diz que o agronegcio est habituado a socorrer o pas nas crises e que os problemas de infraestrutura que emperram o setor podem ser resolvidos em cinco anos.
PEDRO DIAS LEITE

Grvida de dois meses do terceiro filho, Ktia Abreu era uma dona de casa quando ficou viva, aos 25 anos, do primeiro marido, fazendeiro. Contra a vontade dos irmos e tios, que a aconselharam a ir para a cidade abrir um "negcio de mulher", decidiu assumir a fazenda e arregaar as mangas no campo. Quase trinta anos depois, transformou-se em uma das principais vozes do agronegcio. Hoje ministra da Agricultura do governo do PT, partido do qual j foi opositora ferrenha,  tida como uma das mais prximas entre os colaboradores da presidente Dilma Rousseff. Abaixo, a entrevista que concedeu a VEJA em seu gabinete. 

A economia brasileira ter seu pior ano em mais de duas dcadas. Como o agronegcio vai enfrentar essa tempestade? 
H um componente externo importante, que  a reduo das importaes em todo o mundo. S na China, o crescimento das importaes caiu de 9% ao ano para 3,5%. E isso afeta todos os emergentes. Mas fomos compensados pela questo do dlar, ento h um equilbrio. A crise que mais nos afetou, por incrvel que parea, foi a climtica. Mas ela  pontual e temos mecanismos para super-la. No ser a primeira nem a ltima crise pela qual o Brasil passa, e o agronegcio est acostumado a ajudar o pas nessas horas. 

A senhora assumiu o Ministrio da Agricultura h trs meses. Quais foram os principais entraves que encontrou at agora? 
A burocracia. Temos de acabar com isso. No dia 1 de janeiro, encontramos no ministrio um amontoado de 4936 processos  espera de uma concluso, alguns estavam havia cinco anos na fila. Eram pedidos de autorizao para tudo: abrir empresas, fechar, exportar, importar, lanar um produto novo, um genrico, mudar um rtulo. Dei 120 dias ao secretrio para zerar a pilha, com a ajuda de providncias simples. Por exemplo: havia em torno de 1500 processos que precisavam do parecer de um qumico, sendo que no ministrio h apenas um qumico contratado, que, alis, estava em licena de sade quando eu cheguei. O que fizemos? Convocamos nove qumicos das superintendncias estaduais para um mutiro. Outros 1200 processos tratavam de pedidos de mudana de endereo ou alterao de rtulo de produtos. E eu pergunto: o que o ministrio tem a ver com isso? O.k., ele deve ser informado, mas  preciso fiscalizar o Brasil todo atrs disso? No. Ento, a regra vai mudar. A pessoa protocolou o pedido, est feito, no precisa esperar autorizao. Protocola, muda o que quer mudar e vai trabalhar. 

Esse no  um problema restrito ao seu ministrio... 
No. Existe no Brasil, em vrios nveis de governo, a "teoria do pequeno poder".  aquele funcionrio que diz: "Vou olhar, tenho de ver, sou eu que decido se voc vai continuar respirando ou no". Ns vamos acabar com isso. E, para minha surpresa, os funcionrios pblicos, que so sempre muito criticados, esto muito motivados. Assim como no setor privado, o que eles precisam  de qualificao e motivao. 

A senhora fala em profissionalizao, mas est sendo criticada por ter nomeado seu cabeleireiro para o ministrio. 
Isso  uma maldade muito grande. Clio Costa  uma das pessoas mais honestas que conheci na vida. Eu moro em Palmas h vinte anos e ele, em Gurupi. As duas cidades ficam distantes mais de 200 quilmetros. Como ele iria ser meu cabeleireiro? Do pouquinho que voc j ouviu falar de mim, acha que eu traria para c meu cabeleireiro? Depois, o Ministrio da Agricultura no tem vaga para cabeleireiro. 

Ento, por que ele foi contratado? 
Ele ocupa uma vaga no setor de cerimonial. Era seu sonho trabalhar no cerimonial, e ele me pediu uma oportunidade, queria sair de Gurupi.  um DAS2, est ganhando 4000 reais, est comeando. Quando ele for melhorando, vou subir seu salrio. Se ele merecer, obviamente. 

Alm do fim da burocracia, o que mais pode ser feito para impulsionar o agronegcio? 
Um ponto fundamental  adequar a infraestrutura ao setor. Esse foi um dos assuntos mais importantes na minha aproximao com a presidente. Ela entende que quem produz e exporta tem de opinar sobre onde as estradas e ferrovias vo passar. A Confederao Nacional da Agricultura, que eu presidi, ficou anos e anos expurgada da discusso, e deu no que deu: a safra avanou para o centro-norte do pas, e a logstica no foi atrs. Os produtores de Mato Grosso, de parte do Tocantins, do oeste da Bahia, do sul do Piau e do Maranho esto pagando um nus altssimo pela falta de logstica. 

A senhora v solues a curto prazo para esse problema? 
Podemos resolver isso em cinco anos. Hoje, quem exporta soja de Lucas do Rio Verde (MT) tem de pegar uma rodovia at Miritituba (PA) e, de l, uma hidrovia que vai at os portos do norte do Par. Para chegar  China, o custo  de 233 reais por tonelada. Com uma ferrovia que saia de Rondonpolis (MT), passe por Lucas, v de l para Sinop (MT) e depois at Miritituba, esse valor cai para 203 reais por tonelada. Para enviar a Roterd, o preo passa dos atuais 179 para 150 reais. Como no h dinheiro para isso, vamos fazer via concesso, aquela em que o empresrio constri, porque tem interesse em entrar. E o empresrio visa a qu? Ao lucro. Segundo estudo da Macrologstica, h viabilidade econmica para a construo dessa ferrovia de que falei e de ao menos outras quatro: de Barreiras a Ilhus (BA), de Aailndia (MA) a Vila do Conde (PA), de Santo ngelo a Passo Fundo (RS) e de Campinorte (GO) at Au (RJ). Isso vai resultar no qu? Em competitividade para o produtor. Vai aumentar o PIB, as exportaes e o emprego consolidado. 

Como  a sua relao com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira? 
Ns temos uma boa relao, e espero que ela seja sustentvel. At alguns anos atrs, o governo queria tratar de meio ambiente de cima para baixo  ou seja, exclusivamente na base de punies para os infratores. Mas isso no funciona. Para que a poltica ambiental seja bem-sucedida,  preciso haver dilogo com quem lida com as atividades que tm impacto sobre o meio ambiente. E, no campo, o dilogo tem de ser com quem? Com quem est trabalhando ou com quem est  toa? No h como tratar de preservao ambiental sem conversar com o Ministrio da Agricultura, com os produtores rurais, com as entidades de classe.  como o marido dizer que quer continuar casado, mas no quer conversar com a mulher. No adianta falar com o padre, com a me dela. Como manter o casamento rural entre produo e meio ambiente sem falar com a noiva, que so os produtores? Ento, na hora em que a ministra Izabella Teixeira entendeu isso, os problemas acabaram. Temos de dialogar, gente civilizada faz assim, ningum  dono da verdade. 

Seu partido, o PMDB, hoje d mais trabalho  presidente Dilma do que a oposio. 
No diga isso. Tenho pensado muito sobre a situao de 2013 para c, com olhos de quem gosta da Dilma, mas com iseno. Estamos passando por uma turbulncia muito positiva. Pode parecer esquisito dizer isso, mas, vamos analisar: voc acha que  ruim o Congresso ter protagonismo? H anos a sociedade critica o Congresso por viver de joelhos para os governos, engolindo tudo o que eles mandam goela abaixo. O protagonismo do Congresso, neste primeiro momento, pode parecer rebeldia, mas  aprimoramento de democracia. O povo ter coragem de ir para a rua demandar suas questes, a Polcia Federal e o Ministrio Pblico descobrindo corrupo pesada e o Judicirio prendendo gente, o que isso significa?  bom ou ruim?  claro que  bom. 

Mas o governo est passando maus bocados com essa "turbulncia positiva". 
Claro. At isso tudo virar rotina, mexe com as estruturas. Mas j  possvel enxergar alguns resultados. Veja o que o Congresso est votando, e, assim, comeando a entrar em sintonia com a sociedade: maioridade penal  eu sou a favor da reduo , diminuio de ministrios... Quem na rua no se interessa por essas questes? E tratar delas  obrigao do Congresso Nacional  os parlamentares esto l representando as pessoas, afinal. Quero saber onde est o erro nisso. Mas as turbulncias ocorrem. E temos de nos manter firmes, calmos, porque tudo isso vai se acomodando. E  irreversvel. 

A senhora veio de um partido conservador, o extinto PFL, e cresceu como representante ruralista. A presidente Dilma tem uma formao de esquerda e integrou um grupo da luta armada. Apesar disso, hoje so bastante prximas. O que as une? 
Essa questo da  luta armada foi no tempo da juventude da presidente, tenho o maior respeito por essa histria. Ela achou que era justo lutar pela democracia, como tantos lutaram, cada um da sua forma, como o PMDB, meu partido hoje. Agora, em relao  Dilma experiente, gestora, mulher pragmtica, trabalhadora, no vejo diferena entre ns. 

Como se deu essa sua aproximao com a presidente Dilma? 
A primeira vez que houve certa empatia entre ns foi na poca em que ela teve um cncer, pr-candidata ainda, em 2009. Eu era uma combatente ferrenha do governo. Mas, quando ela adoeceu, eu me senti atingida demais, fiquei abatida, penalizada. Pensei comigo: meu Deus, essa mulher chegou at aqui! Isso agora  muito triste, assim no vale, quero derrot-la nas urnas. A mandei uma carta para ela  eu sou muito religiosa, e a carta era assim tambm. Algum perguntou: mas voc sabe se a Dilma  religiosa? Eu falei, no importa, eu sou religiosa, eu sou a remetente, vou fazer uma carta com o que meu corao est pedindo. E ela gostou, comentou com vrias pessoas, agradeceu-me com muita sinceridade e emoo. Fiquei emocionada, porque vi que ela estava agradecida de verdade. Foi um gesto sem nenhuma outra inteno  achei que meu candidato (o tucano Jos Serra) ganharia a eleio. A ficou aquela semente de empatia, coisa de mulher para mulher. Quando foi eleita, ela me chamou para uma conversa. Levei s dois assuntos, a questo do seguro agrcola e a da logstica. Ela deu sequncia a tudo. 

At ficar viva, sua nica experincia profissional havia sido como dona de uma escola para crianas excepcionais e, afora o fato de ser mulher de fazendeiro, no havia tido contato com o trabalho no campo. Como foi a converso de dona de casa em lder do agronegcio? 
Em 1987, eu era casada, tinha dois filhos  um de 4 anos, outro de 1  e estava grvida de dois meses do terceiro quando meu marido morreu num acidente areo. Estvamos casados fazia seis anos, e durante todo esse tempo eu vivi como dona de casa, cuidando dos filhos. Meu marido era muito machista, no me deixava trabalhar. Quando aconteceu o acidente, minha famlia inteira  meus sete irmos, todos homens, e meus cinco tios  falou para eu vender a fazenda em que morvamos, em Gurupi (cidade no Tocantins, mas que na poca pertencia ao Estado de Gois), mudar para Goinia e abrir um "negcio de mulher". Decidi no fazer nada disso. Peguei meus meninos e fui para a fazenda. Seis anos depois, eu j era presidente do sindicato rural da ento segunda maior cidade do estado. Todo mundo me respeitava como produtora rural. Tenho uma f inabalvel, sempre tive. Seno no teria chegado at aqui. Tinha tudo para dar errado. Mulher, de um estado pequeno, viva, filhos pequenos. Era um lbum de famlia ruim. Sou uma sobrevivente. 

E agora, quase trs dcadas depois, a senhora se casou de novo. 
Vinte e sete anos depois. Sabe que eu estou gostando, achando timo? Ter marido em casa  to estranho. Mas  maravilhoso. 


1#4 MALSON DA NBREGA  POR UMA REVOLUO NAS EMPRESAS ESTATAIS
     A Seattle Public Utilities (SPU), empresa de servios pblicos dessa cidade americana, recorreu ao LinkedIn para selecionar um diretor da rea de saneamento. O anncio est no endereo www.linkedin.com/jobs2/view/26951605. O LinkedIn  um popular site de relacionamento profissional utilizado por executivos e tcnicos que buscam expandir sua rede de contatos e explorar novas oportunidades de trabalho. 
     A forma competitiva para escolher dirigentes do setor pblico, inclusive empresas estatais, vigora em pases anglo-saxnicos desde o sculo XIX. Para nomear o seu atual presidente, o Banco da Inglaterra, por exemplo, veiculou anncio na revista The Economist. Escolheu um canadense. Outros pases avanados fazem o mesmo. A corrupo sistmica do petrolo no existiria se os diretores da Petrobras tivessem sido nomeados desse modo.  
     Empresas estatais surgiram na Europa no sculo XIX sob polticas de industrializao que incluam proteo  indstria nascente. Foram criados bancos, empresas de transporte ferrovirio e outras nas quais o mercado no pudesse suprir os respectivos bens e servios. Depois da II Guerra, empresas privadas foram estatizadas sob o argumento de que eram estratgicas ou que deveriam funcionar sem a motivao do lucro. Nos anos 1980, esse modelo fracassou e se promoveu ampla privatizao. 
     Empresas estatais continuam a existir no mundo rico, caso da norueguesa Statoil. Mesmo que no sejam sociedades por aes, entidades como a SPU atuam nos Estados Unidos em servios pblicos, transporte ferrovirio (como a federal Amtrack), crdito para segmentos no atrativos ao setor privado e outros. 
     No Japo, na restaurao da dinastia Meiji (1868), adotou-se uma poltica de industrializao distinta da nfase europeia ao protecionismo. Recorreu-se a subsdios, apoio via compras governamentais e criao de empresas estatais. No fim do sculo XIX, as empresas foram privatizadas, remanescendo por certo tempo a de ao, ento tida como estrategicamente relevante. 
     Em geral, nos pases ricos as estatais nasceram de polticas de desenvolvimento ou para prover servios essenciais sem se submeter aos padres rgidos da administrao direta, que prevalece nas finanas pblicas, na segurana, no Legislativo, no Judicirio e em reas voltadas para a educao. Incorporou-se na origem a ideia de que tais empresas deveriam adotar mtodos privados de gesto, inclusive na escolha de dirigentes. 
     Nas regies de tradio ibrica, como aqui, a criao de estatais ocorreu em ambiente cultural menos favorvel aos negcios privados. Aos objetivos legtimos de industrializao juntou-se a viso de mundo do patrimonialismo e do capitalismo de Estado ou de compadrio. Seus diretores so substitudos a cada novo governo  o que costuma acarretar descontinuidades , e sua escolha  comumente feita por critrios polticos. 
     Sem bons mecanismos de governana e de escolha de dirigentes, um desastre como o da Petrobras terminaria por acontecer. Era mera questo de tempo. Imagine o tamanho da rapinagem se a Vale, a Embraer, as empresas siderrgicas e as de telecomunicaes ainda fossem estatais. 
     Muitos apostam na privatizao como defesa contra o cncer que se espalhou na Petrobras. Pode ser, mas no h ambiente social para tanto. A medida ainda vai requerer mudanas culturais profundas, que levam tempo e educao para acontecer. 
     Embora tampouco vivel neste governo, vale comear a refletir sobre outra sada: revolucionar a gesto das estatais, na linha dos pases ricos. O Congresso aprovaria o Estatuto das Empresas Estatais com status de lei complementar (para valer em todos as esferas de governo). Seriam estabelecidas regras para gerir essas empresas nos mesmos moldes do setor privado, reservando-se ao governo o poder tpico do acionista controlador, via conselhos de administrao. Haveria prestao peridica de contas ao Legislativo. A escolha de seus dirigentes seria feita com a contribuio de consultorias especializadas (headhunters). Os funcionrios das estatais participariam do processo de escolha. 
     Estaria criada uma vacina poderosa contra surtos de corrupo como o que contaminou a Petrobras.
MALSON DA NBREGA  economista


1#5 LEITOR
O PMDB E O GOVERNO DILMA
A presidente Dilma Rousseff continua dando maus exemplos. Agora, ela resolveu terceirizar o governo para o PMDB, entregando a articulao poltica ao vice-presidente da Repblica, Michel Temer (PMDB-SP)  ele e os presidentes da Cmara e do Senado so trs guias, e "profissionais" ("De olhos bem abertos", 15 de abril). Se a presidente pensa que vai aliviar suas responsabilidades com essa indicao, est enganada. 
ROMRIO VARGAS 
Vitria, ES 

A capa da edio 2421 de VEJA nos remete ao filme Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu. O governo do PT realmente se esfacelou. Muda, Brasil! 
RODRIGO HELFSTEIN 
So Paulo (SP), via smartphone 

VEJA conseguiu unir texto e imagem de forma brilhante. A reportagem nos apresenta uma parcela das graves consequncias dos erros eleitorais cometidos por parte dos brasileiros em 2010 e em 2014. As fotos nas pginas 50 e 51 da edio 2421 nos mostram: de um lado, um Brasil srio, de bandeira em punho; do outro, uma imagem deprimente. 
JOS SALOMO NEME 
Belo Horizonte, MG 

A julgar pela reportagem de VEJA, posso imaginar a seguinte situao: Dilma irritadssima com a demora de um garom do Palcio do Planalto em servir-lhe o cafezinho que pediu. Mas ele se justifica dizendo que no tinha sido fcil encontrar algum cacique do PMDB que autorizasse o servio. 
JOS MARTINS DE OLIVEIRA FILHO 
guas de So Pedro, SP 

O que  intrigante para mim, que infelizmente apostei minhas fichas no PT,  que vejo o ciclo de corrupo e roubalheira praticamente institucionalizado  sobretudo a partir do governo Lula. 
CARLITO GUIMARES LIMA 
Recife (PB), via smartphone 

No se iludam, excelncias! Envergar a faixa presidencial exige decncia e virtuosismo. Do contrrio, torna-se um fardo insustentvel. Lula e a presidente Dilma que o digam." 
ALEXANDRE ALDRIGHI RAGONHA 
Limeira, SP  

Presidente Dilma, sei que a senhora tem dificuldade em ouvir opinies divergentes das suas, mas ainda assim ousarei aconselh-la: demonstre honestidade com seu povo e renuncie ao mandato! 
NEWTON CABRAL DE ALBUQUERQUE 
Braslia, DF 

PT 
Agora podemos dizer que o "gigante" acordou. No simplesmente por passeatas histricas que enchem ruas do Brasil nem apenas pelos exemplares panelaos em busca da mudana, mas sim pela soma desses acontecimentos com suas consequncias  a queda de popularidade do grande vilo do Brasil, o PT, para 7% e as recentes prises de petistas corruptos ("O partido que derreteu", 15 de abril). Que o povo no desista de clamar por seus direitos e seja recompensado por sua luta. 
OTTO NISSEL 
Curitiba, PR

EXRCITO 
Sobre a reportagem "Nem tanque detm os bandidos" (15 de abril), de autoria do jornalista Leslie Leito, o Centro de Comunicao Social do Exrcito esclarece que: o Exrcito Brasileiro est atuando no Complexo da Mar, por intermdio da Fora de Pacificao (F Pac), desde abril de 2014, atendendo a um pedido do governo do Estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de contribuir para a preservao da ordem pblica e da incolumidade das pessoas e do patrimnio naquela comunidade. O Exrcito desconhece a existncia das gravaes que teriam originado a denncia e espera que a revista contribua no esclarecimento dos fatos com dados que permitam  instituio a sua apurao, com rigor e iseno, em benefcio da sociedade a que serve. A Fora de Pacificao continuar empreendendo os esforos necessrios, com equilbrio e respeitando as regras de engajamento, para garantir a segurana da populao e desarticular as faces criminosas que h anos fustigam os moradores do Complexo da Mar. 
OTVIO SANTANA DO REGO BARROS 
General de brigada e chefe do Centro de Comunicao Social do Exrcito (CCOMSEx) 
Braslia, DF 

AERONUTICA 
Com relao  reportagem "O suspense no acabou" (15 de abril), este Centro de Comunicao esclarece que: a relao da Fora Area Brasileira (FAB) com a AEL Sistemas  estritamente profissional. O Comando da Aeronutica garante que a presena de militares no interfere na definio nem na escolha de prestadores de servios, fornecedores ou fabricantes. As decises da instituio so fundamentadas em critrios tcnicos, logsticos, industriais e de transferncia de tecnologia. Alm disso, o Comando da Aeronutica no reconhece que houve irregularidades no processo de aquisio dos caas Gripen NG e est pronto para prestar os esclarecimentos necessrios s autoridades competentes. No projeto F-X2, a escolha da empresa AEL foi realizada pela Saab, visando  transferncia de tecnologia e obedecendo a critrios de capacidade tcnica e comercial, dentro das reas de interesse e da cooperao industrial buscadas nos requisitos do programa. 
PEDRO LUS FARCIC 
Brigadeiro e chefe do Centro de Comunicao Social da Aeronutica (Cecomsaer) 
Braslia, DF 

TRABALHO TERCEIRIZADO 
A regulamentao da terceirizao pode at ser uma boa notcia para a economia e para a Justia do Trabalho, mas acredito que o empregado ficar mais vulnervel ("Uma boa notcia para a economia", 15 de abril). Da mesma forma que ocorre na administrao pblica, as contratantes privadas enfrentaro o problema da inadimplncia das empresas prestadoras de servios. Nos contratos continuados, com pagamento mensal, rubricas como 13, frias e resciso s sero repassadas ao empregado terceirizado depois de meses de prestao de servios, mas a contratante repassar esses encargos mensalmente  contratada. Com a malversao dessa "poupana", na hora de quitar tais rubricas com o empregado o caixa estar vazio e os empregados ficaro na penria, tendo a contratante de responder subsidiariamente. No existe fiscalizao, por parte da contratante, capaz de identificar o mau uso dessa poupana. 
MERION CARVALHO PINHEIRO 
Braslia, DF 

Os contratos que antes eram entre empresas e funcionrios passaro a ser entre empresas e empresas, relegando os funcionrios ao segundo plano. 
FERNANDO PIO DOS SANTOS DANTAS CARTAXO 
Recife, PE 

PAULO RABELLO DE CASTRO 
Com raciocnio claro e inteligvel a todos, o economista Paulo Rabello de Castro d a receita simples do recomeo: tirar as chuteiras da iluso e vestir as sandlias da humildade ("Parece barato, mas sai caro", Entrevista, 15 de abril). J  passado o tempo de reconhecer que acabou a era da gastana desenfreada. 
RICARTE DE FREITAS 
Cuiab (MT), via tablet 

O que as ruas clamam  por menos governo e mais educao de qualidade, binmio para que deixemos de ser um pas extrativista por excelncia e nos tornemos uma sociedade geradora de tecnologia. Por isso  to importante irmos para as ruas. 
FERNANDO RIZZATO 
Juiz de Fora (MG), via tablet 

LYA LUFT 
Ao refletir sobre o extraordinrio artigo "O jeito do Brasil" (15 de abril), de Lya Luft,  perceptvel observar que a corrupo resulta de um mundo hipcrita que  vivenciado pelo povo desde a prpria infncia. Um mundo em que se tornou difcil discernir o inocente do culpado. 
MARIA FERNANDA SOARES 
Pinhais (PR), via smartphone 

Como disse Lya,  difcil encontrar uma reunio familiar em que no se fale do escarcu brasileiro. 
FAISSAL NEMER HAJAR 
Curitiba, PR 

Senti na pele tudo o que foi dito ao descrever a situao do Brasil diante da corrupo desenfreada. Estamos todos sem rumo. Que triste! 
ANGELA MACHADO 
Rio de Janeiro, RJ 

GUSTAVO IOSCHPE 
Eu me identifiquei plenamente com o brilhante artigo "O ltimo a sair que apague a luz (se houver)" (15 de abril), de Gustavo Ioschpe. A sensao de termos limitadas as nossas possibilidades tem desencadeado uma desesperana cada vez maior em ns, brasileiros, que ainda insistimos em ser honestos e ntegros. 
BETINA SIMON VALASKI 
Rondonpolis, MT 

Fiquei estarrecida ao ler o artigo de Gustavo Ioschpe. O sentimento ali externado  to igual ao que sinto... Tambm tenho amigos que deixaram o Brasil, e saram derrotados, sem nenhuma esperana de que mude a situao geral em que nos encontramos. Ser que chegamos ao fim do poo? O que mais vir? 
VERA MONTEIRO 
Rio de Janeiro (RJ), via tablet 

Boa reflexo a de Gustavo Ioschpe. Mas o PT fez muita gente acreditar que "elite"  algo ruim a ser combatido. E quem faz parte dessa vanguarda conhece o mundo l fora, sabe a diferena. Na verdade, quem pode vai embora viver a boa vida. Afinal, s se vive uma vez. 
SOLANGE CAPOZZI 
So Paulo (SP), via tablet 

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o nmero da cdula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Diretor de Redao. VEJA - Caixa Postal 11079 - CEP 05422-970 - So Paulo - SP: Fax: (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


1#6 BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

TVEJA
CRISE DE CONFIANA
No programa Direto ao Ponto, a colunista Joice Hasselmann conversa com o secretrio-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco, sobre a falta de transparncia nas contas do governo federal. "Estatais como a Petrobras, a Eletrobras e o BNDES so verdadeiras caixas-pretas. No sabemos onde o dinheiro  investido", diz Castello Branco. "Essas empresas so a Disneylndia dos corruptos, ningum sabe quanto elas gastam exatamente." www.veja.com/tveja 

CIDADES SEM FRONTEIRAS 
PRDIOS AMIGOS DE AVES 
Nos Estados Unidos, um grupo chamado Lights Out tem exigido que os prdios envidraados apaguem as luzes durante a noite para evitar a coliso de aves migratrias. Elas voam  noite e se orientam pela luz das estrelas, mas, quando cruzam cidades, se confundem com as luzes artificiais e os reflexos em fachadas de vidro. O resultado  que 1 bilho desses animais morrem por ano ao trombar com superfcies transparentes, segundo estimativas do Servio Florestal americano. Diretrizes para projetos e iluminao esto nos informativos da American Bird Conservancy, espcie de cartilha da arquitetura "bird friendly". associao recomenda tambm o uso de fita adesiva em janelas de casas e apartamentos. Entre evitar a mortandade de pssaros com medidas simples e exigir que as cidades reduzam a iluminao pblica, a primeira opo parece mais vivel e interessante para todos. www.veja.com/cidadessemfronteiras 

CLUBE DO LIVRO 
AUTORES E OBRAS 
Com a participao do colunista Marcelo Madureira, o programa Clube do Livro, conduzido pelos jornalistas Carlos Graieb e Jernimo Teixeira, discute autores como os russos Daniil Kharms e Vladimir Nabokov e romances como Stoner, do americano John Williams, e A Segunda Ptria, do brasileiro Miguel Sanches Neto. O trio conversa tambm sobre o que diferencia  os textos literrios dos jornalsticos e aproveita a oportunidade para mandar para o sebo os poemas do ex-deputado mensaleiro Joo Paulo Cunha. E sem apelao! www.veja.com/tveja  


